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São Tomé e Príncipe

Janeiro 2020

10 dias, 3 alojamentos diferentes.

Moeda: Dobra (1 EUR = 24.4976 STN). Hora: GMT0. Não são necessárias vacinas.

Saída de Lisboa, rumo a São Tomé, com 45 minutos de paragem em Accara no Ghana e um total de 8 horas de viagem, aproximadamente.

Ao chegar a São Tomé, com uma temperatura de 29ºC, és logo surpreendido (ou talvez não) por um monte de ajudantes, uns querem transportar-te para algum lado, outros querem levar-te a mala, outros querem propor-te tours, enfim, uma panóplia de ofertas que quem está habituado a viajar, conhece e reconhece existir em países com menores capacidades financeiras.

Apesar de todas estas propostas, o melhor é procurares o teu nome, se já tiveres um transfer definido, ou arranjares um taxi que te leve ao teu destino.

Como o nosso caso era o transfer já definido, apanhamo-lo rumo a São Tomé onde ficamos alojados no Pestana Miramar, um hotel já com alguns anos, para aí da década de 80. Percepcionas que não é novo, mas as condições são razoáveis, a limpeza é evidente, e o pessoal, como é apanágio em São Tomé, simpatico e prestável.

Como já chegamos tarde, não nos restou muito tempo para fazer grande coisa a não ser dar uma espreitadela ao hotel, ao envolvimento, relaxar um pouco no fresco do quarto e ir jantar.

Tínhamos referencias de restaurantes em S. Tomé, como o Pirata, o Papa Figos, o Filomar e a Tia Tetê. Após questionarmos na recepção optamos pelo Papa Figos que era mesmo por detrás do hotel, logo não obrigava a taxis nem outros meios de transporte como tuc tuc.

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O jantar foi enormeeeeee, e bom! Pedimos uma tábua de peixes grelhados, acompanhados por legumes salteados, fruta pão e banana pão fritos em óleo de palma. Esqueçam quaisquer elementos mais elaborados que isto na alimentação, vai quase tudo cair no mesmo, excepto pratos como calulu e outro semelhante que é um estufado de peixe em molho de óleo de palma, em que umas vezes juntam feijão, outras vezes erva micocó. Como dizia, aquela tábua de peixe com camarão e polvo, era uma dose para dois comilões que não é o nosso caso. Acompanhado com um vinho Papa Figos e 2 garrafas de água de 1 1/2Lt, a refeição ficou por €30 para 2.

Antes de sairmos de Lisboa, já tínhamos enviado um email ao hotel a dizer que queríamos fazer um tour ali perto, visto que só tínhamos um dia na cidade, e agendamos com a agência que nos propuseram.

No tour pelo centro, passamos na Roça Monte Café, onde fizemos uma visita guiada à exposição sobre a roça e o tratamento do café. Pagámos €3 com direito a um café expresso.

Aproveitamos a visita para nos dirigirmos à escolinha primária ali existente e entregámos livros, lápis e canetas que levámos para oferecer às crianças.

Rumámos para o jardim botânico, onde conhecemos o Leandro, o nosso guia pelo jardim. O Leandro explicou-nos a quantidade de plantas medicinais que existem em S. Tome, bem como a existência de arvores autóctones do parque Ôbo e ainda a recuperação que estão a tentar fazer dos búzios, mantendo-os dentro de uma área restrita e alimentando-os com banana e fruta pão. Os búzios estão em extinção porque os locais se alimentam desta espécie de caracol gigante.

No parque a contribuição é ao gosto de cada um sendo que, devemos ter consciência da importância da mesma para ajudar na preservação do parque. No parque Obô há também guias que orientam percursos pedestres ao longo do mesmo. Há percursos longos, médios e curtos.

Como já era hora do almoço seguimos para a Roça Saudade, onde existe a casa museu Almada Negreiros. O almoço de degustação não deixa ninguém com fome, com dois pratos de entrada, dois pratos principais e duas sobremesas. As bebidas são pagas à parte.

Já de volta à cidade de S. Tomé enquanto fazíamos tempo para visitar a fábrica de cacau do Claudio Corrallo pudemos visitar o Centro Cultural Cacau. Este é um centro de artes, música, dança, palestras e pequenos espetáculos, onde quem pretende pode expor pinturas de sua autoria. Vale a pena a visita, pois é um espaço totalmente recuperado e onde se encontram trabalhos bastante interessantes.

O Claudio Corrallo é um produtor de cacau de elevada qualidade. A visita à fabrica compreende a explicação de como tudo começou, as suas investigações, e posterior degustação. Na fábrica há ainda a parte da loja onde se pode comprar o cacau sob as mais diversas formas que o Claudio gentilmente apresenta e que já tivemos oportunidade de degustar. As degustações só acontecem às 2ª, 4ª e 6ª feira a partir das 16:40. É necessário reservar e a visita custa €4.

Mais info aqui: https://www.claudiocorallo.com/

Sul e Praia Inhame

De S. Tomé a Praia Inhame são cerca de 2h30m. Parte do caminho é por estrada boa, mas em determinado ponto, a partir de S. João dos Angolares, parece que estamos a atravessar uma tempestade, tal é o mau estado das estradas. Falta alcatrão, partes do caminho em pedra, e a seguir ao palmeiral de onde se extrai o oleo de palma, o caminho, sim, que já não se pode chamar estrada, mais parece um caminho de cabras.

Ficámos no Ecolodge Praia Inhame. Os quartos são bungalows, sem ar condicionado, mas com ventoinha. Há wifi no “resort” todo, a comida não é má e as ventoinhas perfazem o necessário. Tem um senão, as galinhas e os galos acordam-te às 5 am. A praia é bonita.

Programa Tartarugas

Em Praia Inhame, o programa de proteção das tartarugas está bastante vivo e ativo. Tem toda a dedicação do Egas, o responsável por organizar as patrulhas à praia, a verificar se há novas posturas, ou ovos a eclodir. Ali junto ao restaurante do “resort”, há um recinto (parece um ringue de boxe), que é a incubadora das tartarugas. Os patrulhas verificam se houve posturas durante a noite na praia, retiram os ovos da postura e levam-nos para a incubadora, onde numeram a quantidade de ovos, o tipo de tartaruga, a data da postura. Marcam tudo isto numa cana de bambu e escavam um buraco com formato de balão em baixo com bocal estreito, a 45cm de profundidade, onde vão colocar os ovos recolhidos, tapam com areia e esperam a eclosão que deverá acontecer em aproximadamente 60 dias, dependendo da temperatura. Quando acontece um dos ninhos abrir um buraco, quer dizer que as tartaruguinhas estão prestes a sair, daí a necessidade de, os vigilantes/cuidadores colocarem uma caixa aberta, à volta do ninho que está prestes a eclodir, evitando assim que vários ninhos se misturem e seja a loucura de tartarugas bebés todas à solta dentro do recinto.

Quando o ninho eclode, são retiradas todas as tartarugas para dentro do balde, contabilizados de encontro com os ovos anotados no bambu, e apontados os valores finais de forma a poderem saber quantas tartarugas sobreviveram e quantas são devolvidas ao mar.

De Outubro a Abril começam as posturas entre praia Jalé e Praia Inhame. Por isso, 60 dias depois de começar, é possível ter ovos a eclodir quase todos os dias. Cada tartaruga coloca para cima de 90 ovos. Vimos ninhos que tinham mais de 200. E para terem uma ideia, em 2 dias, libertamos mais de 1000 tartarugas ao mar. Sendo que a taxa de sobrevivência das tartarugas é de 1/1000, suponho que haverá boas possibilidades de sobrevivência.

As largadas das tartarugas no mar, geralmente acontecem durante a noite, após as 19:30 e de manhã bem cedo, próximo das 6am. A largada matinal acarreta um problema que é a existência de falcões nas proximidades, que segundo o Egas, se comunicam uns com os outros e ficam a rodear uma zona à espera que as tartarugas lá cheguem para as capturar e que são tão espertos que a largada matinal não deve acontecer no mesmo sitio à mesma hora, porque os falcões são capazes de ficar cada vez mais perto, inclusive, na praia à espera.

A vantagem deste processo, é o alcance de maior sucesso na libertação das tartarugas e controlo das populações libertas. Infelizmente não há espaço para se colocarem todas as posturas na incubadora, por isso algumas posturas permanecem na praia. A questão de permanecerem na praia, é que quando os ovos começam a eclodir, o cheiro de apodrecimento, chama predadores, como os cães que escavam os ninhos e as caçam, ou os próprios caranguejos que rapidamente os alcançam e devoram.

Ficámos encantados a ver aqueles pequenos seres a correrem tão prontamente para o mar, sobretudo durante o dia, porque durante a noite parecem estar mais adormecidas, e o seu encaminhamento tem que ser cuidadoso porque são atraídas por luzes claras, por isso o seu seguimento deve ser feito com luzes vermelhas.

Ilhéu das Rolas

A facilidade de estar em praia Inhame, é a tomada do barco para o Ilhéu das Rolas. Atracámos diretamente na praia dos pescadores onde dissemos que iriamos almoçar com eles.

Umas pequenas caminhadas e a voltinha da praxe ao marco do equador, fomos a praia bateria uma pequena enseada muito bonita e, que é assim chamada porque a água quando bate nas rochas faz o som de uma bateria. Não tivemos oportunidade de comprovar tal som, porque a maré estava baixa. E como já não tínhamos muito mais tempo porque tínhamos marcado almoço para as 13h, dirigimo-nos a praia Café. Lindíssima esta praia, onde aproveitamos logo para dar uns mergulhos e tirar o calor e o suor que colava as roupas ao corpo incessantemente.

Nas caminhadas que fizemos, infelizmente, deparamo-nos com uma lixeira de cascas de coco por todo o lado. Os locais, negoceiam cocos com Angola, e deixam as cascas exteriores por todo o lado, o que dificulta a caminhada, e na nossa opinião estraga a paisagem e torna tudo com aspeto sujo, apesar de serem produtos naturais. Ainda dissemos lá ao cozinheiro Toy (que nos recebeu quando atracámos), que eles podiam fazer uma limpeza aos espaços para evitar aquela sujeira toda.

Depois do passeio, almoçamos na praia Café, onde a Sónia, uma moça com pouco mais, se tanto, 25 anos, grelhava o peixe com uma criança pendurada na capulana, às costas. O bebé dormia e a cabeça pendia para o lado e, eu cá a pensar com os meus botões, em todos os cuidados que temos, no ocidente, para que as cabeças dos bebés não fiquem penduradas e para terem sempre as costas direitas e, em Africa este é o transporte habitual das crianças há décadas. Perguntei-lhe se o bebé não tinha calor ali com a grelha e o fumo, sorriu e disse-me que já estava habituado.

Sentamo-nos na mesa indicada, e aguardamos o almoço que chegou logo de seguida. Uma travessa grande de fruta pão e matabala (inhame) fritos, às tiras e, uma outra com 3 peixes grandes, um bodião, e 2 sopas (choupas) grelhadas e com um molho ligeiramente picante e com sabor a limão que estava muito agradável. Acompanhado de 2 Rosemas (cerveja São Tomense) almoçamos muito bem e com a vista maravilhosa da linda praia Café. Que agradável!

Quando acabamos de almoçar voltamos à aldeia dos pescadores para pagar o almoço, €25 para 2 pessoas e, apanhar de volta o barco que já estaria a chegar, à hora combinada. Pela praia dos pescadores, as crianças brincavam na água, cães, galinhas e porcos por ali cheretavam… Todos vivem em comunidade, pensámos nós. E estava tudo bem, até chegarmos novamente a praia Inhame e depois do mergulho que demos comecei com uma coceira enorme nos pés. Qual não foi o meu espanto quando vi o estado em que tinha os pés. Cheios de picadas por todo o lado. Tinha sido picada por aquilo que eles chamam pulga-dos-porcos/matacanha (quando aparece uma cabecinha preta ao fim de algum tempo da picada), e que existe na areia, onde andam cães e porcos. Neste momento, fiquei um pouco apreensiva porque estas picadas têm que ser tratadas/retiradas porque se tratam de pulgas com ovos que depois eclodem e se espalham por todo o lado. Apliquei um produto que diminui um pouco a coceira e a inflamação. A aplicação de produtos mentolados também ajuda. Mal chegue a casa tenho que tratar com urgência.

O sul tem ainda praia piscina e a praia Jalé para visitar, mas as estradas ainda estão piores e não tivemos oportunidade de lá ir. As visitas a sul são mais caras, e creio que se prende com as estradas e difíceis acessos.

Quando regressámos para norte, aproveitamos para fazer o almoço degustação na roça João dos Angolares. Bastante agradável e bem conservada, por sinal. Convém marcar este almoço visto que o restaurante enche e tem mesmo muita gente.

A caminho de S. Tomé e a contra-relógio, tivemos ainda oportunidade de visitar a Boca do Inferno que tem poucas parecenças com a nossa em Cascais. Mas não deixa de ser bonito e imponente observar a força do mar.

O que mais me encheu em S. Tomé? As frutas, as pessoas simpáticas, a quentura das águas, a natureza deslumbrante e em bruto, o cheiro da terra molhada, o cacau e o café!

…to be continued….

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